Eva vai atravessar a Europa em bicicleta, no encalço de migrantes que viveram na Suécia
Atualmente, é muito difícil obter asilo na Suécia para os homens com cidadania afegã. Apesar das promessas da Agência Sueca para as Migrações de reexaminar os pedidos de asilo, após a recente tomada do poder dos Taliban, as recusas mantêm-se frequentes. Muitos destes afegãos contactam-me: as suas dúvidas e perguntas variam, mas o desespero tem sido constante:
Qual é o melhor país para ir? – Como chegar até lá ? – Não aguento mais, não tenho forças para continuar a viver! – Por favor ajude-me ! – Como é que é na Inglaterra, no Brasil, na Finlândia, na Irlanda, na Islândia, em Espanha, em Itália? (para além dos países mais comuns; a França e a Alemanha)
Muitos fogem da Suécia pela segunda ou terceira vez desde que chegaram à Europa. Alguns foram mesmo deportados para o Afeganistão, tendo depois regressado. Outros foram reenviados para a Suécia, pela França ou Alemanha! Por causa do regulamento de Dublin, muitas pessoas estão neste momento em fuga na Europa: numa busca desesperada por um país onde tenham o direito de permanecer. Um país onde possam viver com dignidade e ganhar a vida legalmente. A perigosa travessia do Canal da Mancha não os desanima, porque não existem muitas rotas alternativas. Estão prontos para tentar a sua sorte em qualquer lugar onde ainda haja esperança, aliás, onde ainda ACREDITAM que há a esperança de poder permanecer.
Como resultado, cidadãos afegãos fluentes em sueco, com formação especializada em setores profissionais com escassez de mão-de-obra-um enorme desperdício- tiveram que abandonar a Suécia e vivem agora noutras cidades Europeias. Se as necessidades humanitárias desta população não afetam os nossos líderes, a Suécia deveria, pelo menos, reconhecer as consequências económicas desta política de migração. Muitas destas pessoas recebem asilo em França – legitimados pelo mesmo pedido de asilo que foi rejeitado pela Suécia – e contribuem de forma legal para a economia francesa.
Como é possível que os países da UE tenham posições tão diferentes? Na verdade, a França considera o Afeganistão um país em guerra onde é impossível viver em segurança, enquanto a Suécia afirma que é inteiramente possível regressar ao Afeganistão, mesmo sendo um cristão convertido, ateu e/ou pessoa LGBTIQIA+, argumentando que se pode permanecer “discreto”, evitando regressar ao mesmo local de origem.
Para chamar a atenção para esta situação absurda, volto a partir, com a minha bicicleta, no encalço destes migrantes que viveram na Suécia… Começo em Paris, onde terminei no outono passado. Sigo em direcção ao sul de França, e depois atravesso os Pirenéus em direção a Portugal. Termino a minha viagem no sul de Espanha.
Estou a angariar fundos para a associação LAMSF (Amigos dos migrantes de língua sueca em França), associação com a qual colaboro. Estima-se que pelo menos 5.000 pessoas, sobretudo de nacionalidade afegã, na sequência de uma recusa de asilo na Suécia refugiaram-se em França, tendo a grande maioria obtido ali asilo.
Faludden, setembro de 2023
O meu nome é Eva Hållsten, sou artista e moro na ilha de Gotland. Estou envolvida no apoio a refugiados desde 2015, quando muitos migrantes chegaram à Suécia. Havia então uma atmosfera acolhedora no nosso país. Nos primeiros anos montámos diversas soluções de acolhimento e alojamento, organizámos atividades e apoio solidário. À medida que a situação foi evoluindo, dei por mim a passar cada vez mais tempo a organizar reuniões e viagens para garantir os compromissos com advogados e com a Agência para as Migrações. Sou constantemente contactada por pessoas que têm de voltar a fugir da Suécia, e dou apoio a migrantes indocumentados. Também tenho um papel consultivo junto de outros voluntários.
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